Wednesday, July 10, 2013

Espaço Pessoal

Ainda vivemos numa cultura em que as mulheres são objectivadas, sexualizadas, desrespeitadas e uma data de "adas", pelos homens como se fosse perfeitamente natural. É o que dá em viver em sociedades patriarquistas. Lamento muito, mas metade das coisas que aprendemos leva a crer que os homens são os maiores e as mulheres ficam em segundo plano - ou não temos direito a fazer do nosso corpo aquilo que quisermos (escolha do aborto), o período é uma coisa muito feia e nojenta, se vestirmos menos roupa somos chamadas de "putas" ou então corremos o risco de sermos assediadas, não podemos ter pêlos porque é nojento uma mulher ter pêlos mas os homens podem, somos o sexo fraco, quando estamos irritadas é das hormonas ou período porque não temos direito de estar genuinamente irritadas  e OS EXEMPLOS INFELIZMENTE CONTINUAM DURANTE PARÁGRAFOS E PARÁGRAFOS.

Mas isto dava muito que falar e o tema de hoje aqui é o Personal Space ou como quem diz Espaço Pessoal ou então "Não me toques, caralho!"

Eu sou uma rapariga de 1,50m de altura e sou magreca e lingrinhas, não tenho nenhuma fobia de germes, nem nada que se pareça, mas odeio e sublinho odeio  que estranhos me toquem. 1º não te conheço de lado nenhum, portanto não me toques; 2º não sei se acabaste de meter a mão na pila que já não lavas há cinco dias portanto não me toques; 3º NÃO TE CONHEÇO DE LADO NENHUM PORTANTO NÃO ME TOQUES!!

Repeti a primeira porque parece que as pessoas não percebem isso. E quando falo em pessoas falo especialmente de gajos, homens já feitos, idiotas com pila!
Nem consigo contar as vezes que entro num bar com uma amiga (ou mesmo que fosse sozinha, who care's) e que um idiota de merda, com mania de engatatão ou me toca no braço ou tenta pôr-me o braço em volta dos ombros. No outro dia simplesmente tocaram-me no cabelo. Também não gostei.

Quando eu, com muita paciência diga-se já!, digo: "Podes não me tocar, se faz favor?" e retiro a mãozinha do tipo de cima de mim, os pobres coitados olham-me verdadeiramente chocados e dizem algo do género: "Não te quero assustar / Não te quero fazer mal" e eu respondo "Ok..mas eu não gosto que pessoas estranhas me toquem..." e o ar de choque, surpresa e indignação é evidente nas fronhas do tipo. No outro dia um chamou-me "bitch full of herself", outro queria porque queria me tocar, outro não parava de dançar ao nosso lado quase levando um tabefe da Nancy e nenhum, repito: NENHUM percebeu o que eu queria dizer com "personal space" e ficavam todos ofendidos.

Ora a mim o que verdadeiramente me espanta é eles ficarem ofendidos e não perceberem e respeitarem o facto que eu não quero nem o dedo mindinho deles em cima de mim. Foi assim que foram ensinados. O quê? Uma gaja que nem sequer me deixa tocar no cabelo? Só pode ser uma vaca arrogante! 
E cansa-me verdadeiramente esta merda de os homens acharem que têm sequer o direito de me tocar sem autorização. É uma violação aos meus direitos, à minha liberdade, ao meu espaço. Já estou tão saturada que confesso que já lhes grito, sou agressiva, ameaço....porque isto não anda nem desanda. Não aprendem e pergunto se um dia vão aprender se ainda há coisas como estas:



"Ahhhh tão querido!" pensam alguns. Pois eu não acho piada. Eu sei que são bébés e que o rapaz é totalmente inocente em não aceitar a rejeição. O que me irrita é a pessoa a filmar que não faz nada e deve-se estar a rir da situação. Em vez de ensinar ao puto logo desde pequeno que se ela lhe diz não à primeira, ele tem de aceitar. É que isto são gifs de putos mas isto acontece com adultos gente. Porque ninguém ensina aos homens a aceitar um não.
E apesar do bébé estar muito feliz e a rir-se, se olharem para a cara da miúda ela não está a achar piada nenhuma....e nenhum adulto intervém.

Não tenho nenhuma estatística ao meu lado...mas quase que garanto que TODAS as mulheres já passaram por isto. É nojento. Parem.

Dêem-me as vossas histórias, opiniões, revoltas e grrrl power. 

3 comments:

  1. Pá, uma x em Londres decidi ir ao London Dungeon - para fazer a vontade ás minhas amigas, pois o que eu realmente queria era ir ao concerto dos Clash mas prontes - e avisei logo as tipas "Se algum palhaço dos actores me tenta tocar vai haver escandaleira." Riram-se, mas a medo porque já sabiam que eu era peixeira que chegue para isso. POis meu dito meu feito, mal entramos vem logo um para assustar a malta a andar atrás de nós - e eu a ver pelo canto do olho o gaijo aproximar-se, que eu sou tipo mosca e vejo á volta - e mal o tipo alça a mão para ma pôr em cima, eu viro-me para trás e digo "DO.NOT.FUCKING. TOUCH. ME!!" O homem, cujo trabalho era assustar-me, apanhou o susto da vida dele, mas ainda disse entredentes "fucking twat." ao que eu me preparei logo para responder á letra - sob risco de sair dali uma peixierada ainda maior - mas as minhas amigas arrastaram-me para fora dali. Escusado será dizer que durante do resto da visita nenhum dos actores/ actrizes olhou sequer duas vezes para mim, e foi TÃO BOM. É bem verdade que se eu acho que as mulheres descriminam mais as próprias mulheres que os homens, tb concordo que essa merda do acharem-se no direito de pôr a mãozinha em cima me dá nos nervos. Não suporto que me toquem pessoas desconhecidas, sejam homens ou mulheres, ponto. Mas ele há gente que não entende. Ai o tanto que eu podia discorrer acerca disto...
    http://fashionfauxpas-mintjulep.blogspot.pt

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  2. "No outro dia um chamou-me "bitch full of herself"" - quem foi esta bela peça?!

    O que me irrita é que ainda me digam que a culpa é nossa por ainda nos irritarmos, porque se os ignorássemos eles iriam embora... e porque havemos de ignorar!? Se for um segurança de um clube a levar com cubos de gelo sistematicamente, também tem que ignorar, porque só assim pararão?

    mais giro é acharem que uma gaja é lésbica só porque dispensa a companhia nocturna de machos!

    foda-se, um dia a casa vem a baixo. já mais faltou. lembra-te sempre, se te abordarem dessa forma, joga-te à traqueia! é tropa de elite! chumbo nele! faca na caveira! \m/

    sociedade patriarcal que vá à merda!

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  3. Muito bem dito, Cláudia! E sem dúvida que tudo passa pela educação desde o berço, quando mães e pais começarem a educar meninas e meninos de igual forma, na base do respeito para com o outro.

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